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Levantamento topográfico: o que é, métodos, prazo e preço

É a primeira coisa que se pede antes de projetar, construir, lotear ou medir um terreno. Este guia explica o que é um levantamento topográfico, que método convém em cada caso, o que deve receber e porque é que o prazo e o preço variam tanto de um trabalho para outro.

Foto: Valerie V / Unsplash

Recetor GNSS num tripé num prado ondulado durante um levantamento topográfico
Neste artigo
  1. O que é um levantamento topográfico
  2. Para que se pede
  3. Métodos: estação total, GNSS, drone e scanner
  4. Tabela comparativa
  5. O que se entrega
  6. Sistema de referência
  7. De que dependem o prazo e o preço
  8. Levantamento topográfico ou levantamento arquitetónico
  9. Como encomendar

O que é um levantamento topográfico

Um levantamento topográfico é a medição de um terreno, ou de uma zona construída, para o representar com coordenadas e cotas: a sua forma, o seu relevo e tudo o que está por cima (edifícios, arruamentos, muros, taludes, árvores, caixas de visita). O resultado clássico é uma planta topográfica com curvas de nível; hoje costuma vir acompanhada de um modelo digital do terreno, uma ortofoto e uma nuvem de pontos georreferenciada.

«Levantar» significa medir o que existe para o desenhar. O que distingue um levantamento topográfico de um simples esboço é que cada ponto tem posição conhecida num sistema de referência oficial, de modo que a planta encaixa na cartografia, no cadastro e em qualquer outro trabalho feito depois sobre o mesmo terreno.

Convém dizer logo quem o faz. Faz um topógrafo com estação total e recetor GNSS, e faz também uma empresa de captura massiva como a nossa, com drone, LiDAR ou laser scanner e apoio topográfico GNSS RTK. Não são a mesma coisa nem competem em todos os trabalhos: mais abaixo explicamos quando convém cada um.

Para que se pede um levantamento topográfico

  • Projeto de edificação ou de obra pública: o arquiteto ou o engenheiro precisa da base real sobre a qual projetar, com cotas, limites e elementos existentes.
  • Licenciamento: muitas câmaras municipais pedem uma planta topográfica do estado atual junto com o projeto.
  • Loteamento, destaque ou emparcelamento, e confirmação das áreas reais face às que constam da documentação.
  • Obra e movimentação de terras: estado inicial, medições de escavação e aterro, cubicagem de depósitos e acompanhamento do avanço.
  • Infraestruturas e território: traçados de obra linear, canais, taludes, pedreiras, zonas inundáveis.

Métodos: estação total, GNSS, drone e scanner

O objetivo é o mesmo em todos os casos (pontos com coordenadas e cota); o que muda é como se medem e quantos.

Topografia clássica: estação total e GNSS RTK

O topógrafo percorre o terreno e mede ponto a ponto os elementos que lhe interessam: lancis, cunhais de edifícios, mudanças de inclinação, caixas de visita. A estação total mede ângulos e distâncias com grande precisão a partir de uma estação; o recetor GNSS RTK recebe correções em tempo real e dá coordenadas centimétricas em cada ponto onde é colocado. É o método mais eficiente em parcelas pequenas, para implantações e para fixar limites, e o único possível quando é preciso medir um ponto concreto sob uma cobertura densa. Em contrapartida, a densidade é baixa: da ordem de 20 a 60 pontos por hectare, e uma equipa de duas pessoas cobre cerca de 5 a 20 ha por dia.

Drone com fotogrametria

O drone voa um plano de fotografias sobrepostas e o software reconstrói a geometria do terreno a partir delas. Com fotogrametria com drone chegamos a cobrir até 400 ha num dia, com precisão da ordem de 5 cm, que desce para 2-3 cm apoiando o voo em pontos de controlo medidos com GNSS RTK. Além da nuvem de pontos dá um ortofoto de alta resolução. O seu limite: só vê o que a câmara vê, por isso debaixo das árvores não há terreno. Explicamos a fundo em o que é a fotogrametria.

Drone LiDAR

O drone leva um sensor laser que mede distâncias diretamente. Parte de cada impulso passa entre as folhas e chega ao solo, e esses retornos permitem obter o terreno debaixo da vegetação. É a opção quando há arvoredo, mato ou margens arborizadas, e também em obra linear e grandes áreas: com drone LiDAR cobrimos até 600 ha num dia com precisão de 2-3 cm com RTK ou pontos de controlo. O funcionamento do sensor está em o que é LiDAR.

Laser scanner terrestre

Um scanner num tripé mede milhões de pontos estação a estação, com uma precisão nominal de ±2 mm em condições controladas. Não é a ferramenta para um terreno de vários hectares, mas sim para o que o drone não vê bem: fachadas, pátios, interiores, estrutura e instalações. Num levantamento urbano é habitual combiná-lo com um voo: o drone cobre coberturas e envolvente e a digitalização 3D laser cobre o vertical e o interior.

Dito com honestidade: não somos uma empresa de topografia clássica. O nosso trabalho é a captura massiva (drone, LiDAR e laser scanner) com apoio topográfico GNSS RTK para que tudo fique georreferenciado. Se precisa de implantar uma sapata ou fixar os limites de um lote de 300 m², um topógrafo com estação total resolve-o mais depressa e mais barato.

Tabela comparativa de métodos

MétodoDensidadeRendimento indicativoMelhor paraLimite
Estação total / GNSS RTK20-60 pontos/ha5-20 ha/diaParcelas pequenas, limites, implantaçãoBaixa densidade; lento em grandes áreas
Drone fotogramétricoMilhões de pontos/haAté 400 ha/diaÁreas desimpedidas, obra, pedreiras, ortofotoNão vê o solo sob vegetação
Drone LiDARMais de um milhão de pontos/haAté 600 ha/diaTerreno com arvoredo, obra linear, grandes áreasCor só se levar câmara
Laser scanner terrestreMilhões de pontos por estaçãoPor estaçõesFachadas, interiores, estrutura, instalaçõesPouco eficiente em terrenos extensos

Os valores são os indicativos com que trabalhamos; a precisão real de cada trabalho depende do equipamento, dos pontos de controlo e das condições do local.

O que se entrega num levantamento topográfico

  • Planta topográfica em DWG e PDF, com curvas de nível, cotas e os elementos existentes acordados.
  • Curvas de nível com a equidistância adequada à escala do projeto.
  • Modelo digital do terreno (MDT) e, se interessar, de superfície (MDS), em GeoTIFF.
  • Ortofoto georreferenciada em GeoTIFF, quando há voo fotogramétrico.
  • Nuvem de pontos classificada em formatos abertos: LAS/LAZ ou E57. Sempre em formato aberto, para que a possa abrir em qualquer software sem depender de nós. O que guarda cada ponto está em o que é uma nuvem de pontos.
  • Relatório de precisão: pontos de controlo, pontos de verificação e erro obtido.

Para rever tudo isso sem instalar nada, o visualizador web VisionHub abre a nuvem, a ortofoto e as plantas no navegador.

O sistema de referência

Um levantamento só é útil se as suas coordenadas encaixarem nas do resto da cartografia. Em Portugal continental o sistema oficial é o PT-TM06/ETRS89, adotado em 2006, segundo a Direção-Geral do Território; nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores é o PTRA08-UTM/ITRF93.

A base europeia é comum, mas cada país fixa a sua projeção e a origem das altitudes: em Espanha é o ETRS89 com projeção UTM e altitudes referidas a Alicante; em França, o RGF93 com projeção Lambert-93. Trabalhamos no sistema oficial de cada país onde medimos.

Para contexto à escala do território, o LiDAR nacional da DGT dá uma primeira leitura do relevo, mas a sua densidade não substitui um levantamento de pormenor.

De que dependem o prazo e o preço

Não publicamos um preço por metro quadrado porque não existe um que sirva para todos os terrenos. O que faz variar o prazo e o custo é isto:

  • Área e forma da zona: cem hectares compactos não custam o mesmo que dez quilómetros de faixa estreita.
  • Vegetação: decide se basta a fotogrametria ou se é preciso LiDAR, e quantos pontos de controlo há que medir.
  • Precisão pedida e escala da planta: mais precisão implica mais apoio topográfico e mais verificação.
  • Acessos ao terreno e aos pontos de controlo, e se é preciso combinar drone com scanner terrestre.
  • Autorizações de voo: perto de aeroportos, em zonas urbanas ou em áreas protegidas é preciso obter autorizações antes de voar, e isso marca o calendário.
  • Entregáveis: uma ortofoto e um MDT geram-se quase sozinhos; uma planta desenhada com todos os elementos leva horas de gabinete.

Voamos como operador de UAS registado na AESA, a autoridade aeronáutica espanhola. O quadro europeu comum do Regulamento (UE) 2019/947 permite-nos operar também no resto da Europa, incluindo Portugal, tratando em cada país das autorizações de zona que correspondam. Damos orçamento fechado, com a deslocação incluída.

Levantamento topográfico ou levantamento arquitetónico

Confundem-se muitas vezes porque os dois «levantam» o existente, mas respondem a perguntas diferentes:

  • O levantamento topográfico descreve o terreno: relevo, cotas, limites, arruamentos e a implantação dos edifícios que estão por cima. Mede-se de fora e de cima.
  • O levantamento arquitetónico de um edifício descreve a sua geometria construída: plantas, cortes e alçados do estado atual, com paredes, vãos, lajes e pés-direitos. Mede-se por dentro e por fora, normalmente com laser scanner.

Se vai reabilitar, remodelar ou ampliar um edifício, o que precisa são telas finais as-built ou um modelo BIM a partir de uma nuvem de pontos. Se vai construir num lote ou urbanizar, um levantamento topográfico. E se o projeto envolve as duas coisas, como um edifício com o seu lote, fazem-se juntas na mesma campanha.

Como encomendar um levantamento topográfico

Para lhe dar um orçamento útil precisamos de pouco: a localização ou um KML da zona, para que o quer (projeto, licenciamento, obra, medições), a precisão ou escala que lhe pedem e os entregáveis. Com isso dizemos-lhe que método convém (drone fotogramétrico, drone LiDAR, scanner terrestre ou uma combinação) e, se o trabalho for de topografia clássica pura, também lho dizemos.

Temos sede em Madrid e trabalhamos em toda a Europa.

Perguntas frequentes

Dúvidas habituais

O que é um levantamento topográfico?

É a medição de um terreno, ou de uma zona construída, para o representar com coordenadas e cotas: a sua forma, o seu relevo e tudo o que está por cima (edifícios, arruamentos, muros, árvores, infraestruturas). O resultado habitual é uma planta topográfica com curvas de nível e, cada vez mais, um modelo digital do terreno e uma nuvem de pontos georreferenciada.

Para que serve um levantamento topográfico?

Para elaborar um projeto de edificação ou de obra pública, instruir um pedido de licenciamento na câmara municipal, fazer um loteamento ou um destaque de parcela, confirmar áreas reais, calcular movimentações de terras e volumes ou acompanhar uma obra. É o ponto de partida de quase qualquer intervenção no terreno.

Que método é melhor: estação total, GNSS, drone ou laser scanner?

Depende da área e do que é preciso medir. A estação total e o GNSS RTK são o mais eficiente em parcelas pequenas e para implantações. O drone com fotogrametria cobre grandes áreas desimpedidas e dá ortofoto. O drone LiDAR é a opção quando há vegetação, porque regista o solo debaixo das árvores. O laser scanner terrestre é o indicado para edifícios, fachadas e interiores. Em muitos projetos combinam-se.

Quanto tempo demora um levantamento topográfico?

Depende sobretudo da área, da vegetação, dos acessos e das autorizações de voo. Como referência de rendimento no campo, uma equipa de topografia clássica de duas pessoas cobre da ordem de 5 a 20 ha por dia; com drone fotogramétrico chegamos a cerca de 400 ha num dia e com drone LiDAR a cerca de 600 ha. Ao trabalho de campo soma-se o processamento e o desenho.

Quanto custa um levantamento topográfico?

Não há um preço por metro quadrado que sirva para todos os casos. O custo depende da área, da precisão pedida, da vegetação, dos acessos, das autorizações de voo, da deslocação e dos entregáveis (uma ortofoto não é o mesmo que uma planta desenhada com todos os elementos). O razoável é pedir um orçamento fechado com o âmbito por escrito.

Em que formato se entrega um levantamento topográfico?

A planta topográfica em DWG e PDF; o modelo digital do terreno e a ortofoto em GeoTIFF; a nuvem de pontos em formatos abertos como LAS, LAZ ou E57. Tudo no sistema de referência oficial; em Portugal continental, PT-TM06/ETRS89.

Um levantamento topográfico é o mesmo que um levantamento arquitetónico?

Não. O levantamento topográfico descreve o terreno e o que está sobre ele, georreferenciado e com cotas. O levantamento arquitetónico de um edifício descreve a sua geometria construída: plantas, cortes e alçados do estado atual. Para o segundo a ferramenta habitual é o laser scanner terrestre, e o resultado são telas finais (as-built) ou um modelo BIM.

Um levantamento com drone serve para demarcar estremas?

A captura com drone pode servir de base, mas a demarcação de estremas e os processos de cadastro e registo predial têm regras próprias e exigem técnicos habilitados para o efeito. Nós não fazemos demarcação de propriedade: o nosso trabalho é a captura do terreno.

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