O que é o LiDAR da DGT
O Levantamento LiDAR de Portugal Continental é o projeto da Direção-Geral do Território (DGT) que captou, com sensores LiDAR montados em avião, a informação tridimensional de todo o território continental. O resultado são nuvens de pontos classificadas e os modelos digitais do terreno (MDT) e de superfície (MDS) que delas se derivam.
Foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, na componente de florestas, e serve de base ao cadastro da propriedade rústica e à monitorização da ocupação do solo. Por isso o mesmo dado é útil para ordenamento, floresta, risco de cheias ou cartografia.
Se é a primeira vez que trabalha com pontos, comece por o que é uma nuvem de pontos: aqui damos por adquiridos os conceitos de densidade, precisão e classe.
Voos e estado atual
O território foi dividido em quatro lotes e voado entre abril de 2024 e julho de 2025; o último lote a terminar foi o do norte. Antes deste levantamento, o único LiDAR da DGT era uma faixa costeira e estuarina voada em 2011 com a Agência Portuguesa do Ambiente, da qual existem MDT de 1 e 2 m.
| LiDAR costeiro 2011 | LiDAR de Portugal continental | |
|---|---|---|
| Âmbito | Faixa costeira e estuários | Todo o continente |
| Voos | 2011 | 2024-2025 |
| Densidade | — | 10 pt/m² |
| Exatidão | — | 10 cm em altimetria, 30 cm em planimetria |
| Produtos | MDT de 1 e 2 m | Nuvem classificada, MDT e MDS de 50 cm e 2 m |
Fonte: modelos digitais da DGT e metadados no SNIG. Quanto à publicação, a DGT anunciou cerca de 90 % do território disponível e a zona noroeste ainda em produção. O Centro de Dados já mostra folhas do Minho, mas sem anúncio oficial de conclusão: confirme a sua zona no mapa antes de contar com ela.
O que traz cada ficheiro
- Formato LAZ (LAS 1.4, formato de ponto 8, comprimido), em folhas de 1×1 km.
- Sistema de referência PT-TM06/ETRS89 (EPSG:3763), com altitudes referidas ao Datum Altimétrico de Cascais.
- Densidade média de 10 pontos por m², com um espaçamento médio de cerca de 32 cm. Na prática varia de zona para zona: há folhas bem acima da média.
- Cor e infravermelho: o voo levou câmaras simultâneas e os pontos têm RGB e infravermelho próximo, útil para separar vegetação.
- Pelo menos quatro retornos por impulso: o laser atravessa falhas do arvoredo e regista também o solo por baixo.
- Classificação em 9 classes: outro, terreno, vegetação baixa (0-0,5 m), média (0,5-2 m) e alta, construções, ruído, água e pontes.
A partir da nuvem, a DGT publica o MDT (só terreno) e o MDS (superfície, com edifícios e arvoredo, sem ruído nem água), em GeoTIFF com resolução de 50 cm e de 2 m.
Para que serve
A sua força é a cobertura: qualquer parcela do continente, gratuita, georreferenciada e com o terreno medido sob a vegetação. Onde mais rende:
- Referência e contexto. O envolvente de um projeto em coordenadas reais: a topografia da parcela, a altura dos edifícios vizinhos, o arvoredo. Encaixa com uma nuvem própria mais densa, que cobre só a zona que é preciso medir a sério.
- Planeamento de trabalhos de campo. Antes de ir ao local, estudam-se acessos, desníveis e obstáculos. Para um voo com drone é especialmente útil: a altura do arvoredo e dos edifícios ajuda a fixar a altura de voo e as zonas de descolagem.
- Estudos prévios e anteprojeto. Perfis, declives, bacias e volumes aproximados de movimentos de terras com o MDT de 50 cm, antes de encomendar um levantamento topográfico de pormenor.
- Estudos territoriais: cheias, inventário florestal, faixas de gestão de combustível, potencial solar de coberturas.
A regra prática: o LiDAR da DGT responde bem a «como é o terreno e o que há à volta». Responde mal a «quanto mede exatamente isto» quando «isto» é um edifício, uma instalação ou uma estrutura.
Como descarregar
- Entre no Centro de Dados da DGT e registe-se: a navegação é livre, mas a descarga exige conta.
- Escolha a coleção (nuvem de pontos LAZ, MDT ou MDS de 50 cm) e selecione as folhas de 1×1 km no mapa, até cerca de 200 km² por descarga.
- Se só precisa do terreno, descarregue o MDT em vez da nuvem: pesa muito menos e já vem limpo.
Quem trabalha em QGIS pode usar o plugin DGT CDD Downloader, que descarrega as folhas a partir do próprio projeto.
Licença: CC BY 4.0, de acesso público sem restrições. Pode usar os dados também para fins comerciais, mencionando que a titular da informação é a Direção-Geral do Território (por exemplo: «Dados LiDAR de Portugal continental 2024-2025, DGT, CC BY 4.0»).
Como o abrir nas suas ferramentas
Uma folha LAZ de 1×1 km abre-se em quase qualquer programa de nuvens de pontos. O importante é não perder as coordenadas pelo caminho:
- VisionHub: abre LAS e LAZ no navegador, junto do modelo IFC e de uma nuvem própria de maior detalhe. É a forma mais cómoda de partilhar a folha da DGT com uma equipa que não tem software de nuvens.
- QGIS: lê LAS/LAZ de forma nativa, em 2D e 3D, e permite filtrar por classe e cruzar com cadastro ou ortofotomapa. A opção natural se trabalha em SIG.
- CloudCompare: gratuito, para recortar, filtrar por classe, limpar ruído ou comparar com outra nuvem.
- Revit, AutoCAD e Civil 3D: primeiro converte-se para RCP com o Autodesk ReCap. Em PT-TM06 as coordenadas podem ser negativas e ficar a centenas de quilómetros da origem: convém ligar a nuvem com coordenadas partilhadas ou por um ponto base, não «na origem».
Tem a comparação completa de programas em visualizadores BIM e de nuvens de pontos, e os formatos (LAS, LAZ, E57, RCP) explicados no guia da nuvem de pontos.
Ruído, lacunas e outros limites
A DGT reconhece alguns limites nos próprios dados; os restantes são a nossa leitura técnica depois de trabalhar com este tipo de nuvem aérea:
- Densidade. Cerca de 10 pontos por m² equivalem a um ponto a cada 30 cm, aproximadamente. Suficiente para um terreno, insuficiente para uma cornija, um vão de janela ou uma tubagem.
- Falta de informação na vertical. De um avião a grande altitude veem-se coberturas e solo. Fachadas, alpendres, sob beirados, sob pontes e o interior de pátios estreitos ficam com poucos pontos ou nenhum.
- Classificação com tolerância. A especificação admite 1 % de erro na classe terreno e 10 % nas restantes: haverá pontos mal classificados, sobretudo nas classes minoritárias. A DGT pede aos utilizadores que reportem os erros que encontrem.
- Ruído. Pontos soltos no ar (aves, partículas, reflexos) ou abaixo do solo por reflexões múltiplas. Boa parte está na classe 7, mas não todo: convém revê-lo antes de calcular.
- Lacunas. Água, materiais pouco refletores e zonas tapadas por outros objetos podem ficar sem dados.
- Data. A nuvem é de 2024-2025. Uma obra, um aterro ou um pavilhão construído depois não aparece.
Quando não chega: nuvem de alta densidade
Se o projeto precisa de medir a sério (um levantamento para projeto, um as-built, uma verificação de gabaritos, um controlo de obra), o LiDAR da DGT fica como referência e é preciso uma captação própria. É o que fazemos na LAURIA ESCÁNER:
- Drone LiDAR: o mesmo princípio do voo da DGT, mas a poucas dezenas de metros do solo. Mais de um milhão de pontos por hectare, precisão de 2-3 cm com RTK e até 600 ha num dia. Atravessa a vegetação e capta taludes, obra linear ou pedreiras com um pormenor que o levantamento nacional não dá.
- Digitalização laser terrestre e SLAM: onde o drone não chega. Fachadas, interiores, sob coberturas, instalações e estrutura, com precisão da ordem de ±2 mm.
- Fotogrametria com drone: quando o que prima é a cor e um ortofotomapa de alta resolução de telhados, fachadas ou frentes.
O habitual é combiná-los numa única nuvem georreferenciada, entregue em LAZ, E57 e RCP, que encaixa sem trabalho extra com a folha da DGT que já tenha como contexto. Essa nuvem é a base para modelar em BIM, extrair desenhos ou construir um gémeo digital. E se o seu ativo estiver em Espanha, o equivalente é o PNOA-LiDAR: explicamo-lo no nosso guia em espanhol.
Trabalhamos em Portugal e em toda a Europa, com orçamento fechado que inclui a deslocação da equipa. Diga-nos o que precisa de medir e com que precisão: dizemos-lhe que captação faz falta e qual é dispensável.
