A resposta curta
O Matterport e o VisionHub permitem ver, percorrer e medir um espaço no navegador. A diferença está no que recebe: o Matterport aloja o tour na sua plataforma enquanto mantiver a subscrição e cobra à parte a exportação da nuvem de pontos; a LAURIA ESCÁNER entrega-lhe sempre a nuvem de pontos em formatos abertos (E57, LAS, LAZ), e o VisionHub é apenas o visualizador onde se publica e partilha.
Dito de outra forma: no Matterport, o tour virtual é o produto. No nosso caso, o produto são os dados do levantamento, e o tour é uma forma cómoda de os consultar.
O que fazem igual: ver, percorrer e medir
Vale a pena começar pelo que têm em comum, porque para quem só quer ver um espaço as duas opções são muito semelhantes:
- Ver: o espaço abre-se no navegador, no computador, tablet ou telemóvel, sem instalar nada.
- Percorrer: uma visita virtual 360 em que se desloca de ponto em ponto, como se estivesse lá dentro.
- Medir: distâncias, alturas e áreas diretamente sobre o espaço captado.
- Partilhar: uma ligação para o cliente, o proprietário ou a equipa de obra abrirem sem licenças.
O VisionHub acrescenta a essa base o que um projeto técnico precisa: abrir na mesma cena a nuvem de pontos, o modelo BIM em IFC, o Gaussian Splatting e a ortofotografia, e compará-los com o estado real da obra.

A diferença: os seus dados, em formatos abertos
Quando encomenda um levantamento à LAURIA ESCÁNER, captamos com scanner laser LiDAR (terrestre ou SLAM) e drone, e entregamos-lhe os ficheiros. Não uma licença para os ver: os próprios ficheiros. A nuvem de pontos vai sempre; o resto depende do que o trabalho exigir.
| Entregável | Quando | Formato | Onde se abre, além do VisionHub |
|---|---|---|---|
| Nuvem de pontos | Sempre | E57, LAS, LAZ | CloudCompare, Autodesk ReCap, Leica Cyclone, Revit (via ReCap) e qualquer software que leia estes padrões; Potree como visualizador web de código aberto |
| Panorâmicas 360 (tour virtual) | Se o trabalho incluir visita virtual | JPG equirretangular | Qualquer visualizador 360, Pano2VR e a maioria das plataformas de tours |
| Gaussian Splatting | Se for pedido um percurso fotorrealista | PLY, SPZ | Visualizadores e motores compatíveis com splats |
| Ortofotografia | Quando há voo de drone | GeoTIFF | QGIS, ArcGIS e qualquer SIG |
| Desenhos 2D | Se o trabalho os incluir | Conforme o caderno de encargos | Software CAD |
| Modelo BIM | Apenas se o trabalho incluir modelação BIM | IFC | Revit, Archicad, Blender com Bonsai e qualquer visualizador IFC |
Isto tem três consequências práticas:
- O visualizador não é uma jaula. O VisionHub é onde publicamos o projeto para que toda a equipa o veja, mas se amanhã preferir outra plataforma, carrega lá os mesmos ficheiros.
- Trabalha no computador. A nuvem abre-se no software de modelação ou de análise que já utiliza; não é preciso comprar uma exportação para modelar sobre ela.
- Os dados estão georreferenciados. Trabalhamos com GNSS RTK ou na rede topográfica do projeto, pelo que a nuvem encaixa na cartografia, na ortofotografia e no resto da documentação.
Para saber com que ferramentas se abre cada formato, explicamos em detalhe nos guias de visualizadores BIM e de nuvem de pontos.
O que acontece no Matterport ao cancelar ou exportar
Convém ser rigoroso, porque é aqui que mais se simplifica. Tudo o que se segue vem da documentação oficial do Matterport, revista em setembro de 2026.
Os dados pertencem ao cliente
O contrato de subscrição do Matterport é claro: o cliente mantém a propriedade dos seus dados (cláusula 18). O problema, portanto, não é a propriedade legal, mas sim o acesso e o formato.
Ao cancelar, os espaços deixam de estar disponíveis
Segundo as perguntas frequentes sobre cancelamento do Matterport, quando a subscrição termina todos os espaços deixam de estar disponíveis e as ligações ativas dão erro. Os modelos não são apagados, mas não consegue voltar a aceder-lhes sem contratar outro plano com o mesmo e-mail. O contrato diz o mesmo: terminado o serviço, o cliente deixa de ter acesso aos espaços e complementos alojados na plataforma.
A nuvem de pontos compra-se à parte
- O ficheiro E57 é um complemento de compra única por espaço. Segundo as perguntas frequentes sobre o E57, exige o plano Professional ou superior e que todo o espaço tenha sido captado com uma câmara Pro do Matterport; além disso, não está georreferenciado.
- O MatterPak reúne uma nuvem de pontos colorida em XYZ, a malha OBJ e as plantas de pavimento e de teto em imagem. Não está disponível no plano gratuito e paga-se por cada espaço.
- A tabela de preços oficial indica 99 € por ficheiro E57 e entre 44 € e 54 € por MatterPak, consoante o plano.
Nada disto é escondido nem abusivo: é o modelo de negócio de uma plataforma de tours. Mas convém sabê-lo antes de escolher, sobretudo se o tour tiver de servir anos depois para uma remodelação, uma manutenção ou uma peritagem.
Precisão: Matterport face ao scanner laser terrestre (TLS) e ao SLAM
Os três permitem medir, mas não com a mesma fiabilidade. Medir num tour serve para ter uma ideia; medir na nuvem de um levantamento serve para projetar, modelar ou certificar. Estas são as ordens de grandeza:
| Sistema | Precisão indicativa | Para que serve |
|---|---|---|
| Matterport com câmara Pro3 | ±20 mm a 10 m, segundo o próprio fabricante | Distribuição de espaços, áreas aproximadas, comercialização e documentação visual |
| Scanner SLAM portátil | Na ordem de 1 a 3 cm, consoante o equipamento, o percurso e os pontos de controlo | Plantas de distribuição, armazéns, galerias, lojas e percursos longos |
| Scanner laser terrestre (TLS) | ±2 mm nominal em condições controladas | Modelação BIM As Built, instalações, estrutura, controlo dimensional e peritagens |
A diferença não está só no sensor. Pesam três fatores:
- Como se mede cada ponto. A Pro3 foi pensada para captar um tour depressa. Um scanner terrestre mede cada ponto com um laser de topografia a partir de uma estação fixa, e o SLAM mede em contínuo enquanto o técnico caminha.
- Como se controla o erro do conjunto. No Matterport, cada captura é alinhada automaticamente com as anteriores, sem pontos de controlo externos, pelo que, num edifício grande ou com vários pisos, nada limita o erro acumulado. Num levantamento, as estações do scanner terrestre são registadas com alvos ou na rede topográfica, e a deriva do SLAM é corrigida fechando circuitos e com pontos de apoio.
- Onde está o modelo. O E57 do Matterport não está georreferenciado; as nossas nuvens estão, com GNSS RTK ou na rede do projeto.
Na prática, ±20 mm chegam para decidir onde fica um móvel ou para mostrar um imóvel. Não chegam para modelar uma sala de bombas, pré-fabricar um troço de tubagem ou verificar a planeza de uma laje. Por isso escolhemos o equipamento em função da tolerância que o projeto exige: SLAM quando a rapidez é prioritária e a precisão centimétrica basta, scanner terrestre quando é preciso o milímetro e, muitas vezes, os dois no mesmo trabalho. Explicamo-lo com mais detalhe no serviço de digitalização 3D laser e no de modelação BIM As Built.
Tabela comparativa
| Matterport | LAURIA ESCÁNER + VisionHub | |
|---|---|---|
| Ver, percorrer e medir no navegador | Sim | Sim |
| Quem capta | O próprio cliente ou um prestador, com câmara Matterport, câmara 360 ou telemóvel | Nós, com scanner laser LiDAR e drone |
| Precisão declarada | ±20 mm a 10 m com a câmara Pro3 (dado do Matterport) | Scanner laser terrestre (TLS): ±2 mm nominal em condições controladas. SLAM: na ordem de 1 a 3 cm |
| Nuvem de pontos | E57 pago por espaço; XYZ no MatterPak | Sempre incluída, em E57, LAS ou LAZ |
| Georreferenciação | O E57 não está georreferenciado | GNSS RTK ou rede topográfica do projeto |
| Outros entregáveis | Malha OBJ, plantas, fotografias e vídeo | Conforme o trabalho: 360 em JPG, splats PLY/SPZ, ortofotografia GeoTIFF, desenhos 2D, IFC |
| Se deixar de pagar a plataforma | As ligações dão erro até voltar a subscrever | Os ficheiros continuam a ser seus, nos seus discos |
| Ponto forte | Rapidez, vista dollhouse e ecossistema de integrações | Dados mensuráveis, abertos e reutilizáveis |
Quando se adequa cada um
O Matterport adequa-se bem se…
- Precisa de tours imobiliários ou de hotelaria rápidos, com muitos espaços por mês e captação própria.
- Lhe basta a vista dollhouse, a planta esquemática e medições aproximadas das divisões.
- O seu fluxo de trabalho já vive dentro do ecossistema de integrações e vai manter a subscrição.
O que a LAURIA ESCÁNER entrega adequa-se melhor se…
- O levantamento vai servir para projetar, modelar ou medir a sério: remodelações, Scan to BIM, indústria, infraestruturas ou património.
- Quer conservar os dados sem depender de uma subscrição, em formatos que qualquer programa abrirá daqui a dez anos.
- Precisa de combinar o tour com a nuvem, a ortofotografia do drone, o Gaussian Splatting ou o modelo BIM num gémeo digital.
Já tem tours no Matterport e não sabe se servem para um projeto técnico? Diga-nos o que precisa de medir e dizemos-lhe se basta o que tem ou se compensa um levantamento com scanner laser.
