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Sistemas de classificação BIM: GuBIMClass, AeasBIMClass, Uniclass e os restantes

Um modelo sem classificação é uma maqueta bonita que nenhum sistema consegue ler. Este guia passa em revista os sistemas de classificação BIM usados em Espanha e fora dela, quem pede cada um e como viaja o código dentro de um IFC.

Foto: Nana Smirnova / Unsplash

Estantes de um arquivo com milhares de caixas ordenadas e etiquetadas
Neste artigo
  1. Para que serve classificar um modelo
  2. O quadro comum: ISO 12006-2
  3. Sistemas espanhóis
  4. Sistemas internacionais
  5. Comparação
  6. Como se guarda a classificação em IFC
  7. Classificar um as-built

Para que serve classificar um modelo BIM

Um sistema de classificação BIM é um código comum que diz o que é cada objeto do modelo, independentemente do software, da língua ou do nome que o modelador lhe tenha dado. Para o Revit, um elemento pode ser «Parede básica: Genérica 300 mm»; para o sistema de classificação, é um código que qualquer programa, base de dados ou caderno de encargos entende da mesma forma.

Esse código é o que permite:

  • Medir e orçamentar agrupando elementos por artigos sem os rever à mão.
  • Ligar o modelo a outros sistemas: o software de gestão da manutenção, o inventário de ativos, o SIG.
  • Validar automaticamente que o modelo cumpre o pedido: que cada bomba tem as suas propriedades, que não há objetos por classificar.
  • Pesquisar e filtrar: todas as válvulas de cunha de uma instalação, todos os tetos falsos de um edifício.

Se o modelo só vai servir para tirar desenhos, a classificação importa pouco. Se vai acompanhar a vida do ativo —manutenção, gestão, gémeo digital—, é ela que o torna útil.

O quadro comum: ISO 12006-2

Quase todos os sistemas modernos se apoiam na norma ISO 12006-2. Não é um sistema de classificação: é o quadro que diz que tabelas um sistema deve ter (por elementos, por espaços, por produtos, por processos…) e como se relacionam. Cada país ou setor preenche depois essas tabelas com o seu próprio conteúdo. Por isso os sistemas se parecem na estrutura, embora os seus códigos não coincidam.

Sistemas de classificação BIM em Espanha

GuBIMClass · edifícios

Criado pelo GuBIMCat (Grup d'Usuaris BIM de Catalunya) e apresentado em 2017; a sua versão de referência é a 1.2. Parte da classificação da Infraestructures.cat e inspira-se no OmniClass, Uniformat, MasterFormat e Uniclass. Classifica por função, em três ou quatro níveis de pares de dígitos. Exemplo: 40.20.10.10 — tetos falsos interiores.

É de uso livre e o mais difundido em edifícios em Espanha, embora nenhum organismo estatal o imponha com caráter geral. A sua documentação está publicada no repositório do GuBIMCat.

AeasBIMClass · ciclo da água

O sistema do setor da água urbana, desenvolvido pelo grupo BIM da AEAS (hoje DAQUAS, Associação Espanhola de Água Urbana — Asociación Española de Agua Urbana) com a coordenação do Canal de Isabel II e cerca de vinte entidades. A versão 02, publicada em janeiro de 2025, tem quatro tabelas: objetos, processos, materiais e fluidos.

Cada classe leva um código numérico e um acrónimo de quatro letras. Exemplos da própria tabela:

  • AO.03.01.01.02.00 — válvula de cunha (VVCM)
  • AO.03.03.01.01.00 — bomba centrífuga horizontal (BBCH)
  • AP.08.04.02.00.00 — ETAR, decantação secundária (PRDS)
  • AM.01.02.00.00.00 — betão armado (MHAR)

Cobre equipamentos, instrumentação e eletricidade, e recomenda expressamente combiná-lo com o GuBIMClass ou o SCFClass para a obra civil e os edifícios. Tabelas e guia na página do AeasBIMClass v02. Se trabalha com reservatórios, ETA ou coletores —como o reservatório de Retamares ou o coletor de Sant Feliu—, é o sistema que faz sentido.

SCFClass · ferrovia

Sistema do setor ferroviário promovido pelo Railway Innovation Hub, com uma segunda versão de 2023. Aparece em cadernos de encargos da ADIF, que o pediu em contratos concretos para codificar produtos nos atributos do modelo.

RCEclass · estradas do Estado

Classificação multicritério da Rede de Estradas do Estado (Red de Carreteras del Estado), desenvolvida com a Ineco. Foi aprovada pela Ordem Circular 5/2024 (Orden Circular) e é obrigatória em todos os contratos com requisitos BIM lançados pela Direção-Geral de Estradas (Dirección General de Carreteras). É, à data de hoje, a exigência formal de classificação mais clara da Administração Geral do Estado espanhola (Administración General del Estado).

Se lhe disseram que «o Ministério exige GuBIMClass», peça o caderno de encargos. O Plano BIM da contratação pública não impõe um sistema concreto: cada contrato fixa-o nos seus cadernos de encargos, no seu BEP ou no manual do cliente. A buildingSMART Spain resume-o no seu guia de sistemas de classificação.

Sistemas de classificação internacionais

Uniclass 2015 · Reino Unido

Mantido pela NBS e atualizado todos os trimestres. É o sistema que acompanha a ISO 19650 no Reino Unido e o que mais pedem os clientes internacionais. Organiza-se em tabelas identificadas por prefixo —Ss sistemas, Pr produtos, EF elementos, SL espaços, entre outras— e códigos por pares. Exemplo: Ss_25_10_30_35, sistemas de divisórias em placa de gesso. Consulta livre em uniclass.thenbs.com.

OmniClass, UniFormat e MasterFormat · Estados Unidos

Publicados pelo CSI (Construction Specifications Institute). O OmniClass tem 15 tabelas; a sua tabela 21 (elementos) integra o UniFormat, organizado por sistemas construtivos, e a tabela 22 (resultados de obra) integra o MasterFormat, a estrutura clássica dos cadernos de especificações norte-americanos. O Revit traz de origem o OmniClass e o UniFormat, e é por isso que aparecem em tantos modelos embora ninguém os tenha pedido.

CCI e CoClass · norte da Europa

O CCI (Construction Classification International) baseia-se na norma IEC/ISO 81346 e nos sistemas dinamarquês e sueco; é gerido desde 2020 por uma associação sem fins lucrativos com sede em Bruxelas e usado, entre outros, pela Estónia e pela Chéquia. O CoClass, da Svensk Byggtjänst, é a versão sueca. A sua abordagem —descrever ativos como sistemas e componentes com designações de referência— encaixa especialmente bem em infraestruturas e gestão de ativos.

Comparação rápida

SistemaÂmbitoQuem o mantémQuando lho vão pedir
GuBIMClassEdifíciosGuBIMCatProjetos de edifícios em Espanha, especialmente na Catalunha
AeasBIMClassCiclo da águaAEAS / DAQUASAbastecimento, saneamento, tratamento de águas residuais
SCFClassFerroviaRailway Innovation HubContratos ferroviários, cadernos de encargos da ADIF
RCEclassEstradasMinistério dos Transportes espanholContratos BIM da Direção-Geral de Estradas (obrigatório)
Uniclass 2015GeralNBS (Reino Unido)Clientes britânicos e internacionais, ISO 19650
OmniClass / UniFormatGeralCSI (EUA)Clientes norte-americanos; vem por defeito no Revit
CCI / CoClassGeral, ativosCCIC / Svensk ByggtjänstNorte e leste da Europa, gestão de infraestruturas

Como se guarda a classificação num IFC

No IFC, o formato aberto da buildingSMART, a classificação não é um texto solto numa propriedade: tem entidades próprias.

  • IfcClassification descreve o sistema: nome, versão, editor e localização da fonte.
  • IfcClassificationReference guarda o código concreto (Identification), o seu nome e, opcionalmente, uma ligação à sua definição. Pode apontar para outra referência como classe-mãe.
  • IfcRelAssociatesClassification liga esse código a um ou vários objetos do modelo.
40Sistemas de compartimentação e de acabamentos interiores40.20Sistemas de compartimentação e de acabamentos interiores40.20.10Compartimentação interior horizontal40.20.10.10Tetos falsos interioresGuBIMClassIfcCoveringo objeto do modelo (um teto falso)IfcRelAssociatesClassificationliga o objeto ao seu códigoIfcClassificationReferenceIdentification = 40.20.10.10IfcClassificationGuBIMClass · v1.2IFC
Um teto falso classificado com GuBIMClass e como esse código viaja dentro do IFC.

Como um objeto pode ter várias associações, um mesmo elemento pode levar códigos de dois sistemas ao mesmo tempo. A especificação completa está na documentação do IFC 4.3.

O erro típico é preencher o código num parâmetro do Revit e dar por adquirido que o IFC o leva bem. Se a exportação não mapear esse parâmetro para IfcClassificationReference, o código chega como mais uma propriedade e os validadores não o reconhecem. Convém abrir o IFC exportado num visualizador e verificá-lo; passamos em revista quais no guia de visualizadores BIM.

Classificar um modelo as-built

Num modelo que resulta de uma digitalização laser, a classificação tem duas particularidades:

  1. Classifica-se o que existe, não o que foi projetado. Uma instalação existente pode não encaixar de forma limpa numa classe pensada para projeto novo. É preciso decidir o critério e documentá-lo.
  2. A nuvem de pontos não se classifica, mas os objetos modelados sobre ela sim. Por isso a lista de categorias a modelar e o seu sistema de classificação devem ir juntos na encomenda, como explicamos em o que é Scan to BIM.

Na prática, o que funciona é acordar desde o início uma tabela simples: categoria de modelação → código de classificação → propriedades obrigatórias. Com isso, o modelo sai classificado de origem e não é preciso revê-lo no fim. Se o seu cliente tem manual BIM, trabalhamos sobre ele; se não tem, propomos-lhe um a partir do sistema que melhor se ajuste ao seu setor.

Perguntas frequentes

Dúvidas habituais

Que sistema de classificação BIM se usa em Espanha?

Não há um só. Em edifícios o mais difundido é o GuBIMClass; na água, o AeasBIMClass; na ferrovia, o SCFClass; e nas estradas do Estado, o RCEclass. Em projetos internacionais ou com clientes britânicos pede-se muitas vezes o Uniclass. O sistema é fixado no caderno de encargos, no BEP ou no manual do cliente.

O GuBIMClass é obrigatório?

Não com caráter geral. É um sistema de uso livre muito adotado em edifícios, mas o seu uso depende do que cada cliente pede no caderno de encargos ou no seu manual BIM. A única exigência pública formal de âmbito estatal que conhecemos é o RCEclass, obrigatório nos contratos BIM da Direção-Geral de Estradas espanhola (Dirección General de Carreteras) desde a OC 5/2024.

Que diferença há entre Uniclass e OmniClass?

O Uniclass é mantido pela NBS no Reino Unido, é atualizado todos os trimestres e usa-se em conjunto com a ISO 19650. O OmniClass é publicado pelo CSI nos Estados Unidos e organiza-se em 15 tabelas que integram o UniFormat e o MasterFormat. Ambos seguem o quadro da ISO 12006-2, mas os seus códigos não são intercambiáveis.

Que sistema se usa em infraestruturas de água (ETA, ETAR, reservatórios)?

O AeasBIMClass, desenvolvido no seio da AEAS (hoje DAQUAS) com a coordenação do Canal de Isabel II. Classifica equipamentos, processos, materiais e fluidos do ciclo da água, e recomenda combiná-lo com o GuBIMClass ou o SCFClass para a obra civil e os edifícios.

É possível usar dois sistemas de classificação no mesmo modelo?

Sim. O IFC permite que um mesmo objeto tenha várias referências de classificação de sistemas distintos. É habitual, por exemplo, classificar os equipamentos de uma ETAR com o AeasBIMClass e o seu edifício com o GuBIMClass.

Como se guarda a classificação num ficheiro IFC?

Com três entidades: IfcClassification descreve o sistema (nome, versão, fonte), IfcClassificationReference guarda o código concreto e o seu nome, e IfcRelAssociatesClassification liga esse código aos objetos do modelo.

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